Carlos Augusto de Mascarenhas Relvas (pai do célebre republicano José Relvas) nasceu em 1838, na Golegã, onde mandou construir um atelier fotográfico, único
no mundo devido às suas peculiaridades artísticas e monumentais. Cada
recanto deste edifício foi pormenorizadamente pensado para ser interpretado
como um verdadeiro templo consagrado à fotografia. Sendo um abastado lavrador,
casado com a filha dos condes de Podentes, pôde dedicar-se à fotografia sem intuitos económicos. O facto de se intitular amador dotava-o de um prestígio que os
profissionais não tinham, por fazerem da fotografia o seu modo de vida profissional. Raramente encontramos outro amador - como orgulhosamente se fazia conhecer,
com tanto amor à arte e à técnica fotográfica, que tenha investido tanto de si
e do seu património para a desenvolver, transmitir e partilhar.
Carlos Relvas destacou-se em todos os
géneros que cultivou, desde o retrato de mendigos aos retratos de membros
da nobreza, passando pelos clichés de trechos da paisagem ribatejana às ruas movimentadas de Paris,
ou registos da lua às obras de arte e do património monumental.
Através das seguintes palavras
de Firmin Didot proferidas aquando da Exposição da União Central
das Artes Decorativas, no ano de 1882, em Paris : «M. Relvas, cuja
obra é toda portugueza e cuja escolha atraiçoa logo o archeologo, é um
cavalheiro cujos trabalhos teem o caracter d´uma monographia toda escrita em
honra do seu paiz. […] As riquezas decorativas que encerram as capellas não
acabadas da Batalha formariam, ellas só, a mais soberba monographia.» (apud
VICENTE, 1984:65-66) concluímos que Carlos Relvas era possuidor de
uma refinada cultura artística e tinha um elevado interesse pela
história de Portugal. Carlos Relvas começou a sua atividade fotográfica
no início da década de 1860 com Wenceslau Cifka, em Lisboa, já os processos
fotográficos tinham passado por mais de duas décadas de transformações. Não
tendo sido um pioneiro, constituiu, seguramente, um marco incontornável na
história da fotografia em Portugal e, até, do mundo, uma vez que encontramos
referências sobre Carlos Relvas em vários periódicos franceses e ingleses e
recebeu prémios de nível internacional.Carlos Relvas era um homem cosmopolita,
alguém à frente da sua época.
Empolgado com esta invenção recente,
Carlos Relvas fez desta área artística a sua atividade prioritária.
Ao longo dos mais de trinta anos de atividade como fotógrafo amador
adquiriu as melhores máquinas, montou uma importante biblioteca
especializada, inventou a multiplying camera, aperfeiçoou processos, como o
colódio seco desenvolvido por Russel Gordon, ofereceu a Portugal a
fototipia, edificou três estúdios fotográficos – sendo o ex-libris a
Casa-Estúdio que hoje se conserva como museu – sediado na sua terra natal,
Golegã. Consciente do processo de degradação do património monumental
português, analogamente às elites europeias suas contemporâneas preocupadas com
a conservação do património arquitetónico e artístico dos seus
países, Carlos Relvas entendeu que os seus dotes como
fotógrafo poderiam contribuir para registo minucioso do estado dos
monumentos nacionais mais identitários.
realista, os clichés de Relvas revelam uma excelência técnica, onde a nitidez
é uma imagem de marca.
VICENTE, António Pedro (1984) - Carlos
Relvas fotógrafo, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
***
Texto adaptado de um desdobrável fornecido pelos Serviços Culturais da Câmara Municipal da Golegã:
Entre 1871 e 1875, Carlos Relvas mandou construir uma Casa Estúdio de fotografia com características únicas a nível internacional, como singular é o facto de ter sido construída de raiz, como monumento aos precursores da fotografia e com o objetivo exclusivo de acolher um laboratório e estúdio dedicados especificamente ao desenvolvimento de uma arte e que propiciaram a Relvas um local de excelência para a revelação dos seus negativos e ensaio dos novos métodos daquela disciplina, simultaneamente científica e tecnológica.
No meio de um jardim romântico, com algumas interessantes espécies arbóreas e arbustívas, a Casa-Estúdio é um monumento expressivo da arquitetura do ferro (33 toneladas!) e do revivalismo de estilos, como o gótico e o mourisco, que marcaram a época, como é evidenciado pelo preciosismo decorativo e simbólico, emprestado à construção. O conjunto parece ter sido inspirado no modelo de um templo cristão. A fachada principal virada a poente, ladeada de dois "baptistérios", ostenta um pórtico decorado com um baixo-relevo representando um cavalo marinho, tendo por cima um janelão-varanda rodeado pelos bustos de Niépce e Daguerre, encimado por um interessante óculo-rosácea, onde se juntam as alas laterais que exaltam anjos segurando câmaras fotográficas.
Na nave superior, de cobertura e paredes envidraçadas, entre ferros trabalhados de forma exímia, encontra-se o esplendoroso Estúdio onde a entrada de luz natural se regula através de panos brancos, controlados por mecanismos de fios e roldanas. Nesta galeria, diante de mecanismos e acessórios fotográficos do séc. XIX, tendo como cenário telões pintados de paisagens virtuais, posaram reis e outras figuras ilustres, assim como rurais e mendigos, cujas imagens registadas por Relvas, de grande valor estético, social e etnográfico, mereceram grandes prémios internacionais e nos permitem hoje conhecer melhor a vida quotidiana das comunidades portuguesa e europeia, assim como as suas paisagens naturais, os animais, os monumentos e objetos artísticos.
Com o lavrador, cavaleiro e criador de cavalos, músico e inventor Carlos Relvas, uma das personalidades, incontestavelmente mais ilustre e multifacetada da sua época, em Portugal e na Europa, a Golegã, onde veio a falecer em 1894, passou também a figurar na história da fotografia, pela arte e pelo engenho daquele Ilustre e cosmopolita filho seu "príncipe" e embaixador.»
CASA-ESTÚDIO CARLOS RELVAS
HORÁRIO
Terça-Feira a Domingo – 10:00 às 12:30 e 14:00 às 18:00
Encerrado à Segunda-Feira e feriados.
No meio de um jardim romântico, com algumas interessantes espécies arbóreas e arbustívas, a Casa-Estúdio é um monumento expressivo da arquitetura do ferro (33 toneladas!) e do revivalismo de estilos, como o gótico e o mourisco, que marcaram a época, como é evidenciado pelo preciosismo decorativo e simbólico, emprestado à construção. O conjunto parece ter sido inspirado no modelo de um templo cristão. A fachada principal virada a poente, ladeada de dois "baptistérios", ostenta um pórtico decorado com um baixo-relevo representando um cavalo marinho, tendo por cima um janelão-varanda rodeado pelos bustos de Niépce e Daguerre, encimado por um interessante óculo-rosácea, onde se juntam as alas laterais que exaltam anjos segurando câmaras fotográficas.
Na nave superior, de cobertura e paredes envidraçadas, entre ferros trabalhados de forma exímia, encontra-se o esplendoroso Estúdio onde a entrada de luz natural se regula através de panos brancos, controlados por mecanismos de fios e roldanas. Nesta galeria, diante de mecanismos e acessórios fotográficos do séc. XIX, tendo como cenário telões pintados de paisagens virtuais, posaram reis e outras figuras ilustres, assim como rurais e mendigos, cujas imagens registadas por Relvas, de grande valor estético, social e etnográfico, mereceram grandes prémios internacionais e nos permitem hoje conhecer melhor a vida quotidiana das comunidades portuguesa e europeia, assim como as suas paisagens naturais, os animais, os monumentos e objetos artísticos.
Com o lavrador, cavaleiro e criador de cavalos, músico e inventor Carlos Relvas, uma das personalidades, incontestavelmente mais ilustre e multifacetada da sua época, em Portugal e na Europa, a Golegã, onde veio a falecer em 1894, passou também a figurar na história da fotografia, pela arte e pelo engenho daquele Ilustre e cosmopolita filho seu "príncipe" e embaixador.»
CASA-ESTÚDIO CARLOS RELVAS
HORÁRIO
Terça-Feira a Domingo – 10:00 às 12:30 e 14:00 às 18:00
Encerrado à Segunda-Feira e feriados.
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