quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Existe mais um "europeu"?!
Parece uma frase - interrogação - enigmática, até atrevida mas passo a explicar: Vasco Mendonça, compositor português (ele prefere ser visto como apenas compositor*)escreveu uma ópera para o festival de Aix-en-Provence, uma das mais importantes instituições mundiais (europeias) nos domínios da arte lírica. Depois foi divulgada pela Radio France Musique e escolhida como capa da revista Opern Welt. Esta mesma obra teve estreia nacional (portuguesa) dia 21 de fevereiro, no teatro Maria Matos. Por outro lado a interrogação inicial tem mais argumentos: considera o compositor que esta obra lhe "abriu as portas" (esta expressão é da entrevistadora e, na nossa opinião modesta, está vaga; a expressão talvez pretendesse dizer as portas da Europa, dada a afirmação do compositor apresentada no início destas linhas, ao que junta um complemento à ideia, dizendo que "o seu limite artístico não é determinado por fronteiras geográficas"... Por outro lado, esta expressão leva a pensar que se parte do princípio que, para sermos "europeus", alguém ou algo deve abrir-nos portas, e não ser essa europeização/internacionalização fruto da competência, capacidade dos portugueses não europeus, ainda... O facto da pergunta ter sido posta remete-nos para um corolário que ainda persiste na nossa mente: que não estamos na Europa e precisamos de transpor portas, fechadas, que alguém faz o favor de abrir. Mas não deixa, no entanto, de ser sintomático que Vasco Mendonça sinta que tem sentido alguma desvantagem por estar a residir em Lisboa e não em Berlim, Paris ou Londres, "apesar de reconhecer que as distâncias são mais curtas hoje"**. Mais uma vez a "nossa geografia" a determinar a nossa pertença/centralidade europeia. Quanto a isto não há nada a fazer. Em alternativa só a emigração...
*- ver Jornal de letras, Artes e Ideias, nº1132, pg. 23.
**- idem
Agora uma referência a um outro português, iniciante europeu digo eu, mas que declina essa qualidade ou epíteto (prefiro não me ver como um compositor português mas apenas como um compositor*)- Vasco Mendonça, que escreveu uma ópera para o festival de Aix-en-provence, teve digressão europeia e apresentou-se dia 21 de fevereiro no teatro Maria Matos. Segundo a lógica dos posts anteriores, podemos dizer que este português tem as portas abertas para se tornar mais um "europeu", mesmo contrariando a sua perspetiva...Esta lógica da abertura de portas é muito interessante, dado que é o paradigma usado para outras situações: abrem-se sempre portas a alguém que não está inserido/inscrito em determinado meio, seja ele o teatro, o cinema ou outra atividade qualquer (como se teriam abeto as portas a André de Gouveia? Talvez porque o seu tio já estava no maio. E como se abriram as portas ao seu tio? Não vamos aqui aprofundar esta hipótese (fica para outra oportunidade), a da abertura de portas, mas podemos adiantar que pode ser um simples acaso, tendo por base qualidades científicas e técnicas do que "estão à porta", pois pode dar-se o caso da porta se fechar de imediato. Ainda gostaríamos de abordar, em termos de início de conversa, outro assunto: o da pretensa ou real exclusão da música portuguesa (só?!)da cena internacional/europeia
*- in jornal de letras, artes e ideias, nº 1132,pg. 23
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Faz(fez) este mês anos que morreu André de Gouveia, um dos nossos importantes representantes na cultura europeia , durante o renascimento. Foi reitor da prestigiada Universidade de Paris, em 1533. Esperamos, no projeto do clube europeu, prestar-lhe uma homenagem mais digna durante a comemoração da data do seu nascimento (em 9 de junho de 1497). Para mais informações consultar http://www.infopedia.pt/$andre-de-gouveia.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Estamos quase no final do prazo do concurso para a concessão de financiamento a Clubes Europeus relativo ao ano letivo 2013/14.
O nosso projeto está a ser ultimado, mas podemos adiantar já algumas ideias do que, em breve será apresentado aqui. A ideia central é a de que Portugal sempre esteve no centro da Europa. Parece uma ideia fora do comum, mas vamos adiantar, desde já, alguns argumentos: a formação da nossa nacionalidade teve uma matriz da "europa" central - a primeira dinastia régia, começada pelo conde D. Henrique, pertencia à linhagem de Borgonha, uma das principais casas régias de "França". Portanto, antes de sermos "independentes e europeus", já o éramos... Séculos depois foi fundada a feitoria de Bruges, continuada pela de Antuérpia, ambas fazendo parte da posterior liga Hanseática. considerada como um conjunto de cidades que constituíram um centro europeu de caráter comercial e mesmo político. Aliás, Antuérpia tinha ligações muito estreitas à casa de Borgonha... Durante os descobrimentos fomos centro da Europa, quiçá do mundo inteiro, tanto que o repartimos com Espanha. Na altura, Lisboa era o centro económico e político do mundo... No entretanto tivemos sempre vultos portugueses que participaram na construção das artes, ciências e letras europeias: os filósofos Pedro Fonseca e Manuel Góis, o matemático Pedro Nunes, o cientista Garcia da Horta, a escola polifónica de Évora, um papa português, pintores como Grão vasco e Paula Rego, não esquecendo o prémio nobel da literatura José Saramago e Luís de Camões...Se os reportarmos ao presente temos "argumentos" de peso: nas eleições municipais francesas, cerca de dez mil portugueses ou descendentes estarão nas listas dos diversos partidos e alguns deles serão eleitos; no Luxemburgo a percentagem da população de origem portuguesa ascende a cerca de 20%, contribuindo para a criação da riqueza que faz deste país um dos mais bem posicionados no IDH europeu e mundial, para além dos muitos milhares de emigrantes que desenvolvem as suas atividades por essa Europa fora. A partir do que atrás ficou explícito, iremos selecionar uns quantos aspetos e personalidades mais importantes para desenvolvermos palestras e elaborarmos folhetos a relembrar e destacar o que merece ser destacado: sempres estivemos no centro da Europa e sempre contribuímos para a sua construção, nomeadamente da união europeia, ao fazermos parte das instituições políticas e económicas que lhe deram origem e consistência.
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